Aprendendo com a Deficiência!!!

Sou Sobrevivente da Pólio,  e essa é a minha história.

 

Minha vida mudou de curso quando eu tive poliomielite aos nove anos, mas eu era jovem demais para perceber.  Aos nove anos, eu sabia que não podia andar, brincar lá fora com meus amigos ou ir à escola por um ano.

 

Mas o que realmente marcou o caminho para o meu futuro foi ser paciente de uma fisioterapeuta, a senhorita Waddell. Junto com as temidas compressas quentes cinco vezes ao dia, havia reeducação muscular todos os dias. Essa foi a parte interessante. 

 

A senhorita Waddell acreditava em usar o nome correto do musculo cada exercício. Nada de "apertar esse músculo", mas sim "o tibial anterior começa aqui e termina aqui, agora contrai o tibial anterior". Saí daquele hospital com a melhor  formação muscular  que uma criança de dez anos  poderia imaginar. A terapia continuou com outras pessoas depois que eu cheguei em casa, mas a senhorita Waddell definitivamente marcou a minha vida.

 

Quando chegou a hora da faculdade, a escolha de uma profissão foi fácil. Embora eu considerasse seriamente tanto a terapia ocupacional (TO) quanto a fisioterapia, a TO venceu por causa do meu amor pelo artesanato. E - é claro - que área de especialidade eu escolheria além das deficiências físicas? 

 

A síndrome pós-poliomielite não tinha ainda surgido.  A poliomielite era considerada estável: ninguém sabia que  outro problema estava  a caminho!

 

Eventualmente, fiquei mais fraca e menos móvel, e comecei a precisar de um aparelho para caminhar e poder continuar gerenciando meu trabalho e minha vida doméstica. Trinta anos depois de me formar na faculdade, eu estava de volta à escola, fazendo mestrado, para ajudar a mim e a outras pessoas a lidar com o que estava acontecendo conosco. Depois disso, uma coisa levou à outra e fiz da Síndrome Pós Pólio, uma subespecialidade no meu trabalho.

 

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Minhas filhas também aprenderam com minha deficiência. Elas aprenderam a ser engenhosas, prestativas, sensíveis e aceitar pessoas diferentes de si mesmas. Juntamente com as habilidades de solução de problemas, elas podem determinar se um ambiente é realmente acessível; elas são as únicas pessoas capazes em cujo julgamento eu posso confiar totalmente.

 

Emocionalmente, o que eu aprendi? Que a vida é imprevisível, que as coisas acontecem, que precisamos estar prontos para nos adaptar, porque a vida nem sempre sai da maneira que esperávamos. Temos que aprender a aceitar a ajuda dos outros para as coisas que costumávamos fazer por nós mesmos. 

 

Que precisamos ser gratos pela ajuda que obtemos e agradecidos por quaisquer habilidades que ainda temos.

 

 

 

Fonte:

© Post-Polio Health International