Depoimento de uma das primeiras vítimas da Síndrome Pós Pólio no Pais

 

 

 

Cecília Mirândola, psicóloga, 50 anos 

 

''Com três anos, tive uma poliomielite muito severa. Mas consegui voltar a andar sem aparelhos aos 11 anos de idade, após várias cirurgias e técnicas de reabilitação. Tinha uma vida normal e uma rotina intensa, trabalhando como psicóloga e fazendo pós-graduação. Porém, por volta de 87, notei que não dava mais conta das minhas tarefas e me sentia constantemente cansada, além das dores e atrofias em músculos que não tinham tido sido comprometidos pela pólio.

 

Comecei, então, uma peregrinação por médicos, que não sabiam o que eu tinha. A maioria achava que todos os meus sintomas eram psicológicos.

 

A doença foi diagnosticada somente em 1993, na Escola Paulista de Medicina. Fui uma das primeiras pacientes do neurologista Dr. Acary Bulle, que então começava a pesquisar a síndrome pós-pólio. Foi um grande alívio saber que a doença era real, não vinha da minha cabeça. Desde que descobri ser portadora da síndrome, mudei minha rotina de modo a poupar esforços.

 

Agora atendo meus clientes em meu apartamento. Do caminhar sem ajuda de nenhum aparelho, passei a utilizar cadeira de rodas, há quase dez anos. E faço tudo pela internet, como compras de supermercado e tarefas bancárias. A vida toda enfrentei uma grande pressão para andar. Agora sofro as conseqüências de tanto esforço. Após enfrentar a pólio, eu era apenas vencedora, e, hoje, com a síndrome, tenho novos desafios.''

 

Fonte:

 

Revista Época

 

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Dr. Jonas Salk, o cientista que desenvolveu a vacina contra pólio.