A COVID-19 era a Poliomielite da minha Época!​

 

Aos 94 anos, Val Lauder já ficou cara a cara com a poliomielite, com as privações da guerra e agora com a COVID-19. Ela nos lembra que não somos os primeiros a enfrentar algo que pode nos prejudicar. Nem seremos os últimos!

 

 

Poliomielite, a doença que poderia atacar você quando estivesse levando uma vida normal e mudar essa vida para sempre. Às vezes acabando com sua vida, mas com mais frequência alterando-a, incapacitando-o de uma forma ou de outra e que não faz diferença de status ou idade!

 

O ex-secretário da Marinha e futuro presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, foi diagnosticado após nadar nas águas da casa de verão da família no Maine. Ele tinha 39 anos e nunca mais voltou a andar. Um estudante do ensino médio que descobri por acaso foi atingido depois de um verão na casa de praia de sua família no Lago Michigan. Ele tinha 17 anos e nunca mais voltou a andar.

 

Eu tinha 6 anos. Voltei para casa para começar a estudar depois de um verão na casa de meus avós maternos no Lago Zukey, perto de Ann Arbor, Michigan. A poliomielite,  também chamada de paralisia infantil por causa do efeito paralítico - foi diagnosticada erroneamente como malária no meu caso. Achava-se que eu a havia contraído de meu avô no lago; ele desembarcou no Hospital da Universidade de Michigan para ser tratado de malária.  Eles haviam ligado os dois casos por engano. Ainda me lembro do gosto do quinino. (Pense em água tônica.) E as febres altas.

 

Certa noite, nossa faxineira, que era minha babá, ficou preocupada quando minha febre aumentou cada vez mais. Ela encheu a banheira com água fria. Era uma banheira oval antiquada com pernas cabriole, longa até para adultos, por isso continha muita água. Quando ela pensou que a água não estava fria o suficiente para baixar minha temperatura, ela desceu até a cozinha e tirou pedaços de gelo do grande bloco da velha caixa de gelo de carvalho. Ela os trouxe de volta para cima e os colocou na água do banho.

 

Lembro-me daqueles pedaços de gelo flutuando ao meu redor. E mais tarde soube que minha febre subiu assustadoramente. Aparentemente, o gelo ajudou a baixar minha temperatura. Eu sobrevivi.

 

Eu estava na casa dos 30 anos quando descobri que tinha poliomielite, não malária, e saí com uma escoliose ou curvatura da coluna vertebral. Muitos anos depois, meu médico me mostrou um raio-X que ele pediu, e minha coluna estava com um S. perfeito! Eu tive sorte. Não apenas por sobreviver, mas por causar danos mínimos.

 

Milhares ficaram paralisados. O que sentíamos? O mesmo de hoje, o perigo à espreita lá fora.  Medo. Algo que você não podia ver chegando, sobre o qual não tinha controle, mas poderia mudar sua vida para sempre. Era comum nas manchetes dos jornais, as fotos de crianças com muletas e adultos com pulmões de ferro.

 

Em seguida, a coletiva de imprensa na Universidade de Michigan que anunciou a vacina Salk. Lembro-me de que todas as três redes de TV anteciparam sua programação diurna regular para transmitir a coletiva de imprensa; foi em um auditório para acomodar o enorme número de imprensa e dignitários.

 

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O mundo soube naquele dia - 12 de abril de 1955 - que os resultados de um teste mostraram que a vacina do poliovírus Salk era de 80% a 90% eficaz contra a poliomielite paralítica. O governo dos Estados Unidos licenciou a vacina Salk mais tarde naquele dia. O suspiro nacional de alívio foi incrível! Escrevo isto para mostrar que o medo e o pavor de vírus não é novo. Nem pandemias.

 

A epidemia de gripe espanhola em 1918, frequentemente mencionada hoje, que matou quase 500 milhões de pessoas e infectou um terço da população mundial. Minha mãe, que tinha 18 anos, quase 19, era uma delas. Cada geração tem seus perigos. Medos. Escarlatina. Sarampo. Varíola. Febre amarela.

Hoje é irritante, além de assustador, descobrir que nesta era dos transplantes de coração e ressonâncias magnéticas ainda há algo por aí que pode nos atingir, nos colocar no hospital, em um respirador e, talvez, no necrotério.

 

Acontecem coisas que nos sacodem de nossa rotina normal. Lembro-me do presidente da Universidade da Carolina do Norte falando sobre a Grande Depressão. Ele que tinha muitas propriedades e dinheiro ..., ele e todos na cidade acordaram uma manhã e descobriram que os bancos haviam fechado, assim como as fábricas. Você só tinha o que tinha no bolso ou na carteira, ou uma velha lata de café no armário da cozinha. De alguma forma, nos conseguimos passar.

 

E quanto a Segunda Guerra Mundial? De repente, vale-refeição. Racionamento de gás. A guerra é manchete todos os dias e as listas de vítimas todas as semanas. E os trens de tropas pelos quais passei no meu caminho de ida e volta para a faculdade. Os oficiais do Exército e soldados, oficiais da Marinha e soldados, nas cavernosas salas de espera de mármore das estações ferroviárias.

 

Seguimos em frente, como dizem. Vivemos nossas vidas. Fizemos o nosso melhor. E chega enfim, o anúncio do presidente Truman da rendição japonesa em 15 de agosto de 1945.

 

Não somos os primeiros a enfrentar algo que pode nos prejudicar. Nem seremos os últimos. Mas o que posso dizer, embora não seja uma vacina, é um pensamento reconfortante: isso também passará!

 

Fonte:

https://www.saturdayeveningpost.com/2020/11/it-was-polio-then/