SPP e Gerenciamento da Dor!

 

O “super treinamento” é considerado, como uma das causas mais comuns de desordens dolorosas em pacientes com SPP. Um estudo apontou que a localização das dores são dependentes, principalmente, do tipo e velocidade de locomoção dos pacientes.

 

Em pacientes com marcha comunitária as dores são referidas com maior frequência nos membros inferiores e tronco. Em contrapartida, em indivíduos que utilizam a cadeira de rodas para locomoção, as dores são mais referidas nos membros superiores e região cervical.

 

Muitos pesquisadores relatam que pacientes que realizam atividades extenuantes e fazem caminhadas em alta velocidade são mais suscetíveis às dores. Uma redução no nível de atividades, tratamento com base em recursos fisioterapêuticos específicos, prática diária de alongamentos, redução do nível de estresse e o uso de fármacos são propostas utilizadas para atenuação de tal problemática.

 

O tratamento medicamentoso é baseado em analgésicos simples como dipirona e paracetamol, uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) e raramente corticoides e cirurgias.

 

A dor crônica pode ser manejada com antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina, inibidores seletivos da recaptação da serotonina como a fluoxetina e relaxantes musculares como a ciclobenzaprina.

 

As principais recomendações clínicas e reabilitativas para pacientes com SPP, de acordo com o Consenso estabelecido pelo Departamento de Medicina Física e Reabilitação da Universidade da Califórnia, são:

 

(1) Adaptação de um novo estilo de vida (as atividades físicas devem ser “vistas” como uma maneira de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e não como a realização de exercícios tediosos e exaustivos). Os objetivos dos programas de reabilitação devem estar focados para fornecimento de melhorias nas habilidades funcionais;

 

(2) Exercícios de resistência com intensidade leve a moderada (definida por frequência, carga e duração) devem ser recomendados, exceto naqueles pacientes onde o grau de fraqueza muscular e fadiga anormal for acentuado;

 

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(3) Exercícios de alta intensidade não se mostraram eficazes quando comparados aos de intensidade leve a moderada. Em adição, podem provocar uma demanda metabólica intensa nos motoneurônios remanescentes e gerar prejuízos clínicos e funcionais;

 

(4) Programas envolvendo bicicletas ergométricas e atividades aeróbicas são usualmente autolimitados com cargas em limites submáximos. Pacientes com acentuado grau de paresia nos membros inferiores não devem executá-los;

 

(5) Indivíduos com doenças neuromusculares apresentam respostas variadas ao treinamento, sendo dependentes do grau de fraqueza muscular, fadiga anormal, média de progressão das doenças e do nível de condicionamento físico. A fadiga anormal pode, algumas vezes, ser reduzida com aplicação de intervalos entre as atividades.

 

 

Fonte:

Revista Neurociências

Guia de Reabilitação Neurológica na Síndrome Pós-Poliomielite: Abordagem Interdisciplinar