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Sobrevivente da Pólio - Polionetwork!

Eu Sou Capaz!”

A emocionante história de superação de uma sobrevivente da pólio que venceu a discriminação, a dor e os limites físicos

Enquanto muitas pessoas acreditam que a poliomielite ficou no passado, milhões de sobreviventes ao redor do mundo continuam enfrentando diariamente os impactos físicos, emocionais e sociais deixados pela doença.

Mas algumas histórias conseguem ir além da dor.

Elas se transformam em símbolos de coragem, perseverança e esperança.

A trajetória de Sefakor Pomeyie é uma dessas histórias.

Uma infância marcada pela pólio e pela discriminação

Sefakor nasceu em Gana, na África, e contraiu poliomielite em 1975, aos oito anos de idade, mesmo tendo sido vacinada. Mais tarde, descobriu-se que a vacina aplicada estava vencida.

A doença deixou uma de suas pernas completamente paralisada e a outra severamente enfraquecida.

Durante parte da infância, ela precisou rastejar ou ser carregada pela mãe para conseguir se locomover.

Mas as dificuldades físicas eram apenas parte da batalha.

Na comunidade onde vivia, a deficiência era vista como uma “maldição de Deus”. O preconceito era tão forte que seu próprio pai, incapaz de suportar a vergonha social, abandonou a esposa e a filha.

Ainda criança, Sefakor aprendeu uma realidade dura que muitos sobreviventes da pólio conhecem profundamente:
a maior dor nem sempre vem do corpo.

Às vezes, ela vem do olhar da sociedade.

Uma mãe que se recusou a desistir

Se hoje Sefakor se tornou professora universitária e referência internacional em inclusão, muito disso começou com a força silenciosa de sua mãe.

Mesmo extremamente pobre, ela nunca permitiu que a filha acreditasse ser incapaz.

Todos os dias repetia:
“Se você quiser alcançar o mundo, precisará da educação.”

Inicialmente, carregava a filha nas costas até a escola. Depois, quando isso se tornou impossível, contratou alguém para levá-la de scooter.

Sem acessibilidade, sem estrutura e sem apoio, Sefakor precisava engatinhar pela escola antes de conseguir aparelhos ortopédicos e muletas.

Ela sofreu bullying. Caiu inúmeras vezes. Quebrou ossos. Subiu escadas engatinhando para conseguir assistir às aulas.

Mesmo assim, nunca desistiu.

A educação se transformou em liberdade

Apesar de todas as limitações, Sefakor destacou-se nos estudos pela inteligência e dedicação.

Conquistou vaga em uma escola de prestígio e posteriormente formou-se professora de francês.

Mais tarde, ingressou na Universidade de Cape Coast, uma das mais importantes de Gana.

Mas novamente a falta de acessibilidade apareceu como obstáculo.

Seu dormitório ficava no terceiro andar. Muitas salas exigiam subir longos lances de escada. As quedas continuavam acontecendo. Em uma delas, machucou gravemente sua perna considerada “boa”.

Ainda assim, ela persistiu.

Porque para quem convive com a pólio, cada conquista costuma exigir muito mais esforço do que o mundo imagina.

Quando a dor pessoal se transforma em missão

Com o agravamento das limitações físicas, Sefakor precisou deixar a sala de aula tradicional e passou a trabalhar no Departamento de Educação do Distrito.

Foi ali que sua história começou a mudar a vida de outras pessoas.

Ela passou a orientar estudantes com deficiência, ajudando-os a buscar oportunidades, enfrentar preconceitos e acreditar em si mesmos.

A mulher que um dia precisou ser carregada nos braços tornou-se símbolo de esperança para outras pessoas com deficiência.

A vida ainda lhe reservaria perdas profundas

Durante uma gravidez complicada de gêmeos, Sefakor desenvolveu eclâmpsia, entrou em coma e chegou a ser declarada morta após uma cesariana de emergência.

Milagrosamente, despertou dois dias depois.

Anos mais tarde, enfrentaria outra tragédia:
a perda inesperada de sua filha ainda pequena, após uma febre intensa.

Mesmo mergulhada na dor, ela decidiu continuar.

Porque algumas pessoas descobrem que perseverar não significa ausência de sofrimento.

Significa continuar apesar dele.

De menina carregada no colo a professora universitária nos Estados Unidos

Em 2010, Sefakor conquistou uma bolsa internacional de estudos nos Estados Unidos.

Concluiu mestrado e posteriormente doutorado na Universidade de Vermont.

Hoje, atua como professora universitária em Vermont e no St. Michael’s College.

Sua trajetória atravessou:

  • pobreza;
  • deficiência;
  • preconceito;
  • abandono;
  • dor física;
  • perdas familiares;
  • inúmeras quedas.

Mas ela nunca deixou que a pólio definisse os limites da sua existência.

“Desistir nunca passou pela minha cabeça”

Uma das frases mais emocionantes de sua história resume tudo:

“Minha vida foi difícil. Começando como uma menina carregada nas costas da minha mãe para ir à escola (…) Não foi fácil, mas desistir nunca passou pela minha cabeça.”

Uma mensagem para os sobreviventes da pólio

A história de Sefakor não fala apenas sobre deficiência.

Ela fala sobre dignidade humana.

Sobre continuar mesmo quando o corpo dói.
Mesmo quando o mundo desacredita.
Mesmo quando a vida parece pesada demais.

E talvez essa seja uma das maiores lições para os sobreviventes da pólio:

As limitações podem mudar caminhos.
Mas não são capazes de apagar sonhos, inteligência, sensibilidade ou propósito.

Porque, às vezes, as pessoas que mais sofreram são justamente as que desenvolvem a força mais profunda.

Fonte:

https://polionetwork.org/archive/8ec6s0agg804c7woj2skn52k9pbqwe

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