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Neuromodulação - novos caminhos para a Síndrome Pós Pólio?

Neuromodulação – novos caminhos para a Síndrome Pós Pólio?

Quem convive com a Síndrome Pós-Pólio sabe que, há muitos anos, os tratamentos disponíveis têm como objetivo controlar os sintomas, preservar a força muscular e melhorar a qualidade de vida.

Mas será que isso pode mudar?

Embora ainda não exista uma cura, pesquisadores continuam buscando novas estratégias para ajudar os sobreviventes da pólio. Uma das linhas mais promissoras envolve a neuromodulação, um conjunto de técnicas que procura estimular o sistema nervoso para melhorar o funcionamento dos músculos.

E o Brasil participa dessa pesquisa.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em colaboração com cientistas italianos, publicou recentemente estudos avaliando uma tecnologia chamada REAC (Radio Electric Asymmetric Conveyer) em pessoas com Síndrome Pós Pólio.

Nos estudos, os participantes receberam sessões de neuromodulação e foram avaliados antes e depois do tratamento. Os pesquisadores observaram melhora da força muscular e da resistência à fadiga em parte dos participantes, especialmente na musculatura mais comprometida dos membros inferiores. Esses resultados sugerem que a modulação da atividade do sistema nervoso pode representar um novo caminho para a reabilitação da Síndrome Pós Pólio.

Mas existe um detalhe muito importante.

Os próprios pesquisadores ressaltam que esses estudos envolveram um número pequeno de participantes e que ainda são necessárias pesquisas maiores, controladas e de longo prazo para confirmar esses resultados. Ou seja, a técnica ainda não pode ser considerada um tratamento comprovado, mas representa uma linha de pesquisa extremamente interessante.

Essa talvez seja a notícia mais importante.

Depois de muitos anos com poucas novidades, a Síndrome Pós Pólio volta a despertar o interesse da comunidade científica. Isso significa mais pesquisas, novas perguntas e, principalmente, novas possibilidades para o futuro.

A boa ciência avança exatamente assim: um pequeno estudo abre caminho para outros maiores. Quando diferentes grupos de pesquisa obtêm resultados semelhantes, novas tecnologias passam a fazer parte da prática clínica.

Enquanto esse momento não chega, continuam valendo as recomendações que já demonstraram benefícios: atividade física cuidadosamente individualizada, conservação de energia, acompanhamento multiprofissional e respeito aos limites do corpo.

A esperança não está em promessas milagrosas.

Ela está na ciência.

E a UNIFESP, uma das mais importantes universidades do país na área da Neurologia e da Reabilitação, está contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a Síndrome Pós Pólio.

Talvez a grande revolução ainda esteja por vir.

Mas ela certamente começa com pesquisas como essas.

Quer saber mais?

Artigos científicos

Improving Strength and Fatigue Resistance in Post-Polio Syndrome Individuals with REAC Neurobiological Treatments
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10672477/

Efficacy of REAC Neurobiological Optimization Treatments in Post-Polio Syndrome
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39452526/

Journal of Personalized Medicine – REAC e Síndrome Pós-Pólio
https://www.mdpi.com/2075-4426/14/10/1018

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