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SPP e tremores internos!

Pólio e Tremores Internos: O Que Está Acontecendo com Meu Corpo?

Pergunta de um sobrevivente da pólio:
“Tenho sentido muitos tremores internos. No início, eles apareciam apenas à noite, me acordando. Agora, surgem e desaparecem ao longo do dia. A sensação vem da coluna, entre e logo abaixo das escápulas. Será que isso tem relação com meus músculos respiratórios ou com um diafragma enfraquecido?”

Resposta do Dr. Bruno (especialista em pólio e Síndrome Pós Pólio):

Essa é uma pergunta frequente entre sobreviventes da poliomielite, e a primeira etapa é descartar causas clínicas comuns — como infecções ou problemas na tireoide — que também podem provocar tremores. Após isso, podemos considerar fatores mais específicos ligados à história com a pólio.

Ao longo dos anos, muitos sobreviventes relataram uma sensação semelhante de “tremores internos”, geralmente descrita como uma vibração profunda, que vai e vem. Esses tremores, na maioria das vezes, não estão diretamente relacionados aos músculos respiratórios ou ao diafragma. A região entre e abaixo das escápulas, onde você sente esses tremores, abriga músculos profundos do tronco (core), que, junto aos músculos das pernas, são os mais propensos a esse tipo de atividade involuntária.

Por que isso acontece com mais frequência em quem teve pólio?

  1. Respostas térmicas alteradas
    Os tremores musculares são, na essência, contrações rítmicas do corpo usadas para gerar calor e estabilizar a temperatura corporal. Em sobreviventes da poliomielite, o vírus pode ter danificado os nervos que controlam os vasos sanguíneos da pele, facilitando a perda de calor corporal. Isso os torna mais sensíveis ao frio e mais propensos a iniciar tremores mesmo em temperaturas que outras pessoas considerariam amenas.
  2. Alterações no centro cerebral do tremor
    O hipotálamo posterior, região do cérebro que regula os tremores relacionados à temperatura, pode ter sido afetado pelo poli vírus. Isso pode deixar o organismo de sobreviventes da pólio mais reativo a variações térmicas, mesmo sutis — como estar com o corpo pouco coberto à noite.
  3. Ciclos naturais de temperatura corporal
    Muitas pessoas relatam tremores internos durante a madrugada ou nas primeiras horas da manhã. Isso acontece porque o ritmo circadiano do corpo atinge o seu ponto mais frio nesse período, com a temperatura corporal central caindo cerca de 1°C, o que pode ser suficiente para desencadear os tremores.
  4. Tremores pós-anestésico em sobreviventes da pólio
    Estudos mostram que até 65% dos sobreviventes apresentam tremores após anestesia geral, e até 33% após raquianestesia. Isso reforça a ideia de uma sensibilidade acentuada ao frio e à variação térmica. Por isso, é essencial que médicos que cuidam de pacientes com histórico de pólio solicitem mantas térmicas no pós-operatório, para reduzir o desconforto e o risco de complicações.

Mensagem final:

Os tremores internos podem ser desconcertantes, mas em muitos casos, eles fazem parte das alterações neuromusculares deixadas pela poliomielite. Se não houver dor ou outros sintomas associados, o foco deve estar em manter o corpo aquecido, evitar ambientes frios e conversar com seu médico sobre estratégias para minimizar esse desconforto. Você não está sozinho — seu corpo apenas continua a contar uma história de resiliência e adaptação.

Fonte:

Escrito por Richard L. Bruno, HD, PhD

https://polionetwork.org/archive/3ki6dsz9iyjzi3s1rs69pobrm04gzf

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