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Realidade Virtual

Reabilitar com realidade Virtual? É possível?

Imagine fazer exercícios de equilíbrio, coordenação ou mobilidade enquanto participa de um jogo na televisão ou em um ambiente virtual.

Isso já existe.

São os chamados exergames — jogos que utilizam os movimentos do corpo como parte da atividade — e os programas de realidade virtual aplicados à reabilitação.

O que antes parecia apenas diversão está sendo cada vez mais estudado como uma ferramenta para ajudar pessoas idosas a manter ou recuperar capacidades importantes para a vida diária.

Como funciona?

Dependendo do equipamento, a pessoa pode realizar movimentos para:

  • alcançar objetos virtuais;
  • deslocar o peso do corpo;
  • trabalhar equilíbrio;
  • movimentar braços ou pernas;
  • simular atividades do cotidiano;
  • treinar coordenação e tempo de reação.

Sensores, câmeras ou controles reconhecem os movimentos e transformam o exercício em uma atividade interativa.

Em vez de simplesmente repetir um movimento, a pessoa recebe uma tarefa, um objetivo e uma resposta imediata na tela.

O que os estudos estão mostrando?

Pesquisas recentes com idosos indicam que exercícios associados à realidade virtual podem contribuir para aspectos como mobilidade, equilíbrio e capacidade de caminhar.

Uma revisão de 2025, que reuniu 56 estudos com quase 3 mil idosos, encontrou melhora em medidas de caminhada, velocidade da marcha e testes relacionados ao risco de quedas.

Outra revisão publicada em 2026 encontrou melhora da capacidade de caminhada com exercícios em realidade virtual, embora nem todos os indicadores físicos tenham sido superiores aos exercícios tradicionais.

Ou seja:

a tecnologia pode ser uma ferramenta interessante, mas não significa que seja melhor para todas as pessoas ou em todas as situações.

E para quem teve pólio?

Em pessoas com Síndrome Pós Pólio, fadiga e nova fraqueza muscular podem estar presentes, e o programa de exercício precisa ser individualizado.

Diretrizes para Síndrome Pós Pólio indicam que determinados exercícios supervisionados podem ser seguros e benéficos para pessoas com fraqueza moderada, mas reforçam a necessidade de seleção adequada do paciente e acompanhamento.

Por isso, o principal benefício dos exergames para esse público talvez esteja justamente em algo que a tecnologia permite fazer muito bem:

adaptar o treino.

Um exercício tecnológico pode ser programado para respeitar:

o ritmo da pessoa,
a amplitude de movimento possível,
o tempo de atividade,
o número de repetições
e os períodos de descanso.

O objetivo da reabilitação não é ganhar do jogo.

É melhorar ou preservar uma função importante para a vida, como:

levantar-se com mais segurança,
melhorar o equilíbrio,
alcançar um objeto,
movimentar melhor um braço
ou realizar uma tarefa com menos esforço.

Tecnologia com propósito

Os exergames e a realidade virtual podem tornar a reabilitação mais interativa e motivadora. Mas a tecnologia precisa trabalhar a favor do corpo — e não contra ele.

Para o sobrevivente da pólio, o programa deve considerar fadiga, fraqueza, dor, equilíbrio e capacidade funcional individual.

E sempre que possível, o exercício deve ser definido ou acompanhado por um profissional de reabilitação que conheça as particularidades da poliomielite e da Síndrome Pós Pólio.

O melhor treino não é aquele que exige mais.

É aquele que ajuda você a funcionar melhor, com segurança e sem esgotar a energia que precisa para viver!

Continue se informando

Se este assunto é importante para você, veja também:

    Fontes:

    • Revisão sobre exergames e mobilidade/equilíbrio: encontrou melhora de equilíbrio e mobilidade em idosos, mas também solicita estudos de melhor qualidade e protocolos mais padronizados. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32682439
    • Revisão recente de exergames comerciais em idosos institucionalizados: 14 ensaios clínicos e 724 participantes; encontrou melhora de medidas de equilíbrio, porém com grande heterogeneidade entre os estudos.
      https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41981489/ PubMed
    • Revisão específica sobre fadiga na SPP: reforça a importância de conservação de energia o que sustenta que um jogo ou equipamento nunca deve induzir o sobrevivente da pólio a ultrapassar seus limites apenas para alcançar pontuação ou aumentar repetições.
      https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34175009/

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