SPP – Atividade Física: Riscos e Benefícios!
Baseado na palestra do Dr. Roberto Dias – III Simpósio Doenças Raras e Síndrome Pós Pólio Brasil–Portugal de 2025.
A atividade física é indispensável para quem vive com Síndrome Pós Pólio (SPP), mas também é um dos pontos que mais exige cuidado, equilíbrio e conhecimento. Fazer menos do que o necessário enfraquece. Fazer mais do que o corpo suporta machuca. Este artigo explica, de forma objetiva, como encontrar o ponto ideal — sem riscos e com benefícios reais.
Por que a atividade física é diferente para quem teve pólio?
A poliomielite destruiu parte dos neurônios motores ainda na infância. Para recuperar os movimentos, o corpo criou uma estratégia inteligente:
Neurônios sobreviventes assumiram muitas fibras musculares. Esse processo é chamado de reinervação. Resultado: a vida inteira o corpo trabalhou em “modo extra”. Alguns neurônios passaram a cuidar de 5 a 7 vezes mais fibras do que o normal. Com o passar das décadas, essa sobrecarga leva ao que chamamos de over use – um cansaço celular profundo que gera:
- nova fraqueza
- dores
- perda funcional progressiva
- sintomas da SPP
Por isso, para sobreviventes da pólio, atividade física é terapia — e requer precisão.
O perigo dos extremos: o que NÃO fazer
O Dr. Roberto é claro: os extremos são prejudiciais.
Fazer demais (over use)
Quando o corpo é forçado além do limite, pode ocorrer:
- exaustão do neurônio motor
- piora da fraqueza
- dor intensa
- regressão funcional
Isso já foi observado em:
- atletas de alta performance
- casos de esclerose lateral amiotrófica com histórico de exercícios extenuantes
- sobreviventes da pólio que treinaram intensamente entre 20 e 30 anos
Não fazer nada (desuso)
O outro extremo é igualmente perigoso:
- perda de força
- atrofia por desuso
- mais dor
- mais quedas
- perda da independência
A falta de movimento enfraquece o músculo e piora a SPP.
O ponto ideal: equilíbrio é a palavra-chave
Entre “fazer demais” e “não fazer nada”, existe o caminho seguro:
Bom senso + Autopercepção + Orientação profissional
O paciente deve conhecer e respeitar:
- seus limites
- suas dores
- seus sinais de alerta
- seu tempo de recuperação
A equipe deve:
- criar um plano individualizado
- monitorar respostas ao exercício
- ajustar carga e frequência
- evitar movimentos repetitivos excessivos
Como identificar que você passou do limite?
Sinais de alerta (pare imediatamente):
- Fraqueza incomum depois da atividade
- Dor que piora em 24–48h
- Fadiga extrema que dura mais de 1 dia
- Perda de força em atividades do cotidiano
- Cansaço que interfere no sono ou na locomoção
Esses sinais indicam over use e risco de regressão funcional.
O que fazer? Recomendações práticas
Atividade física SIM — mas com limites claros!
Preferir:
- exercícios leves a moderados
- movimentos não repetitivos
- treinos curtos e fracionados
- atividades prazerosas e sustentáveis
Evitar treinos intensos
Nada de:
- musculação pesada
- longas caminhadas sem descanso
- treinos aeróbicos extenuantes
- esportes de impacto
- superação de dor “no esforço”
Priorizar técnicas seguras
- fisioterapia neuromuscular especializada
- exercícios de baixa resistência
- alongamentos leves (quando indicados)
- exercícios na água em intensidade moderada
- fortalecimento cuidadoso
- treino de marcha com ajustes posturais
Recuperação é parte do tratamento
- descanso entre sessões
- pausas durante o dia
- sono regular
- hidratação adequada
Monitoramento contínuo
Qualquer mudança deve ser relatada ao profissional responsável.
Benefícios REAIS da atividade física bem orientada
Quando feita corretamente, a atividade física:
- Reduz dor
- Melhora a resistência
- Aumenta autonomia e independência
- Melhora o humor e reduz ansiedade
- Retarda a perda funcional da SPP
- Fortalece músculos não afetados
- Melhora a postura e o equilíbrio
- Previne quedas
Atividade física não cura a SPP, mas transforma a qualidade de vida.
Conclusão
A atividade física é essencial para quem vive com Síndrome Pós Pólio ( SPP) — mas não pode ser igual para todo mundo. O segredo está no meio-termo: nem esforço demais, nem sedentarismo. Com orientação especializada, atenção aos sinais do corpo e equilíbrio, você pode conquistar mais autonomia, menos dor e uma vida mais ativa e segura!
Fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=f1x4cpokWHY&list=PL1ubl4u48nG2k3ymqPMyVU1HQJuDEeV90&index=8

