O que a Bioengenharia e a hidroterapia podem auxiliar nas sequelas da Pólio?
A reabilitação de quem vive com sequelas da poliomielite (e também com Síndrome Pós Pólio – SPP) está ficando mais eficiente e menos desgastante quando une duas frentes:
- Bioengenharia (tecnologia assistiva) → para andar com mais segurança e gastar menos energia
- Hidroterapia (fisioterapia aquática) → para reduzir dor e fadiga e treinar movimentos com menos sobrecarga
Bioengenharia: é tecnologia sob medida, para dar segurança + eficiência, sem aumentar a exaustão.
A bioengenharia cria dispositivos que ajudam a mover, sustentar ou alinhar o corpo quando há fraqueza, instabilidade ou assimetria.
O que isso pode fazer por você:
- Dar mais estabilidade ao quadril/joelho/tornozelo
- Diminuir o risco de quedas
- Evitar arrastar o pé
- Reduzir o “custo” do caminhar (menos gasto de energia e menos fadiga)
- Aliviar a sobrecarga nos braços e ombros em quem usa muletas
Exemplos:
- Órteses mais modernas (mais leves e bem ajustadas)
- Órteses com auxílio de movimento (alguns modelos usam sistemas pneumáticos, como “músculos artificiais”)
- Controle por sinal do próprio músculo (em alguns casos, sensores captam um “sinal” residual do músculo para acionar o suporte, gerando movimento mais natural)
Hidroterapia: menos impacto, mais movimento, menos dor
Na SPP, é muito comum haver fraqueza progressiva, dor e fadiga. A água ajuda porque “tira peso” do corpo e permite treinar com menor ação da gravidade.
Benefícios mais percebidos:
- Menos sobrecarga nas articulações (água “sustenta” parte do peso)
- Menos dor e mais relaxamento, especialmente em água aquecida
- Menos fadiga quando o treino é bem dosado
- Melhora de equilíbrio e marcha com segurança
- Condicionamento físico com menor impacto (ex.: movimento de “pedalar” na água)
Água aquecida: em geral, temperaturas por volta de 33,5°C a 34°C costumam favorecer relaxamento e analgesia.
Quando essa combinação faz mais diferença?
Pode ser especialmente útil se você sente:
- Dor frequente (muscular e/ou articular)
- Cansaço desproporcional para tarefas simples
- Quedas, instabilidade ou medo de cair
- Sobrecarga em ombros/punhos por uso de muletas
- Piora da marcha (arrastar o pé, assimetria, tropeços)
Checklist rápido: o que perguntar ao seu fisioterapeuta/médico
Sobre bioengenharia/órteses
- “Minha marcha está gastando energia demais? Dá para medir isso?”
- “Uma órtese pode reduzir fadiga e quedas no meu caso?”
- “Meu alinhamento (quadril/joelho/pé) está sobrecarregando alguma articulação?”
- “Existe opção mais leve, mais confortável e ajustada para mim?”
Sobre hidroterapia
- “Qual a frequência ideal para eu melhorar sem piorar a fadiga?”
- “Quais exercícios devo evitar para não sobrecarregar músculos já enfraquecidos?”
- “Como controlar a intensidade para não ter piora no dia seguinte?”
Atenção: reabilitação na SPP precisa ser “inteligente”, não “no limite”
Na Síndrome Pós Pólio, o objetivo não é “forçar para ganhar”. É proteger o que funciona, reduzir dor, manter independência e evitar sobrecarga. Se a terapia deixa você pior por dias, algo precisa ser ajustado.

